Por Thiago Abrahão, proprietário da Casa Vínea.
Em 2019, eu era um profissional de marketing ganhando R$6.000 por mês numa agência multinacional. Paralelamente, nas horas vagas, comecei a me aventurar na fermentação natural. Fazia pães por paixão e, aos poucos, isso virou um pequeno negócio informal.
Naquela época, eu me sentia deslocado no trabalho após uma mudança interna na empresa. A fermentação natural me dava propósito. O que era hobby virou alternativa, e acabei decidindo investir de verdade. Comprei um forno profissional e aluguei um espaço por R$1.400 para abrir uma padaria artesanal. Foi aí que começou uma jornada intensa, cheia de desafios, escolhas corajosas e lições profundas.
Quando a paixão encontra os custos fixos
Meu primeiro ponto tinha localização complicada. Não havia onde estacionar, o fluxo de pedestres era baixo, e o público local ainda não compreendia bem o valor de produtos como pães de fermentação natural, queijos artesanais ou cafés especiais. Para piorar, tinha uma padaria tradicional na quadra de baixo.
Mesmo assim, fui em frente. Em fevereiro de 2020, inaugurei minha padaria. Um mês depois, veio o lockdown da pandemia.
A pandemia foi um empurrão — mas não resolveu tudo
Apesar do cenário difícil, consegui adaptar rapidamente minha padaria para o delivery. Passei a vender pães pelo ifood e entregava pessoalmente. O crescimento foi visível. Reinvesti tudo que ganhei em melhorias.
Mas logo percebi: continuar no mesmo ponto não permitiria crescimento sustentável. Decidi mudar de local.
Mudar para crescer: oportunidade ou armadilha?
O novo espaço ficava numa área mais nobre do bairro, com facilidade de estacionamento e estrutura bem melhor. Dividi o aluguel de R$3.600 com uma confeiteira. Contratei um funcionário (R$1.670). Tudo parecia promissor.
O problema? O contrato era de 3 anos. A confeiteira ficou apenas 1 ano. E os custos ficaram todos comigo após isso.
Ainda assim, mantive o ritmo. O faturamento médio era de R$9.000. O mix incluía pães artesanais, vinhos, kombuchas, queijos, cafés, doces e outros produtos artesanais. O foco era vender produtos somente artesanais.
Produtos incríveis, vendas medianas
Fiz de tudo para atrair mais clientes:
- Tinha baguetes com recheios que só eu tinha.
- Criei um festival de caldos servidos em pães no inverno.
- Desenvolvi um café colonial com ingredientes de altíssima qualidade, incluindo croissants de fermentação natural, queijos curados e presunto cru.
- Todo ano fazia panetones de fermentação natural com sabores diferentes.
- Passei a produzir pão francês.
- Anunciei no Instagram, Google (com pouquíssimo investimento) e participei de grupos e eventos locais.



Mas os resultados não vinham. O café colonial, por exemplo, vendia em media 5 unidades aos sábados. Durante a semana, quase nada. O produto era bom, o preço justo (R$59,90) — mas o fluxo e o volume não sustentavam o custo fixo.
A matemática não fechava
Após dois anos no novo espaço, o aluguel subiu para R$4.300. Para complementar a renda, comecei a trabalhar remotamente como consultor, ganhando cerca de R$4.500. Isso me permitiu contratar uma atendente (R$1.600), mas a pressão financeira continuava.
Em janeiro de 2023, diante da renovação do contrato de aluguel (com novo aumento e mais 3 anos de compromisso), decidi encerrar a padaria.
O que aprendi ao fechar meu negócio
Fechar um negócio nunca é fácil. Mas, olhando com distância, percebo que esse ciclo me deu mais clareza do que qualquer MBA poderia oferecer. Aqui estão os principais aprendizados que carrego e aplico hoje na Casa Vinea, minha agência de marketing estratégico voltada a pequenos negócios:
1. Custo fixo pode matar um negócio rentável
Mesmo com faturamento constante, meu custo fixo era alto demais. Quando o ponto exige muito da operação para “empatar”, qualquer pequena queda vira um rombo.
2. Crescer exige validação antes de expansão
Ter mudado de ponto antes de construir uma base fiel de clientes foi um risco alto. O novo espaço era melhor, mas o negócio ainda não estava maduro o suficiente para sustentar os custos maiores.
3. Marketing não é mágica, é construção
Fazer bons posts, investir em anúncios e criar campanhas não resolve se você não tiver ajuda, recorrência, diferenciação clara e um público educado sobre o valor do seu produto.
4. Produto bom não garante volume
Pães artesanais, cafés especiais, vinhos… tudo de excelente qualidade. Mas isso não é suficiente se o público não está preparado para consumir esse tipo de produto com frequência. Educar o mercado deveria ter sido parte da estratégia desde o início.
5. Sozinho é mais difícil (e mais lento)
Sem sócio, sem investidor, sem rede de apoio, eu fazia de tudo. Vender, produzir, limpar, contratar, negociar, criar posts, calcular impostos. Isso limita qualquer crescimento.
O que eu faria diferente
Se voltasse no tempo, começaria de forma muito mais enxuta:
- Produção em casa ou em cozinha compartilhada;
- Foco em entregas sob encomenda e assinatura mensal;
- Parcerias com cafés e empórios para vender consignado;
- Educação do público como parte do plano de marketing;
- Crescimento apenas com faturamento e recorrência comprovados.
O que tudo isso tem a ver com a Casa Vinea?
Tudo. Porque hoje, na Casa Vinea, eu atendo exatamente quem está nesse ponto: empreendedores talentosos, apaixonados pelo que fazem, mas muitas vezes atolados em decisões difíceis, vendas instáveis e marketing que não entrega resultado.
A diferença? Agora eu trago vivência. Sei o que é abrir caixa no negativo. Sei o que é fazer tudo certo e mesmo assim não funcionar. E é justamente por isso que minha entrega vai além da “teoria”.
Conclusão: fracasso é um rótulo mal colocado
Fechar minha padaria foi uma das decisões mais difíceis que já tomei. Mas também foi o maior passo em direção ao que realmente me realiza: ajudar negócios reais a crescerem com inteligência, visão e alma.
Se você é empreendedor e sente que está carregando tudo sozinho — ou que já tentou de tudo e não sabe por que as vendas não crescem, a Casa Vinea foi feita para você.
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